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Os atuais desafios da sustentabilidade demandam que gestores de negócios passem a tomar decisões considerando os limites planetários e um novo cenário de incertezas. A urgência imposta pela mudança do clima e outras questões ambientais somada às limitações sociais ainda sem solução requerem agilidade nem sempre possível em um contexto empresarial com modelos de gestão rígidos e dependentes de decisões centralizadas. Estar em constante transformação é um caminho sem volta para o desenvolvimento sustentável. Não à toa, o fomento à inovação está entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e ganha cada vez mais espaço em fóruns empresariais, desafiando também a formulação de políticas públicas que regulem a atuação de novos negócios.

Estimular e pesquisar a inovação para a sustentabilidade foi uma das motivações para a criação do FGVces, em 2003, e ainda hoje é uma frente relevante de atuação do Centro. Acreditamos que da inovação surgem as soluções necessárias, nem sempre relacionadas a um grande salto tecnológico. As transformações podem estar, por exemplo, no modo de os negócios se relacionarem com stakeholders e em práticas de gestão mais inclusivas. Há muito espaço para essa mudança em todos os setores da economia.

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Atuando dentro de uma escola de negócios, o FGVces busca inovar em metodologias de formação que levam a ferramentas e modelos de gestão construídos coletivamente com atores relevantes em cada um dos temas em que atuamos, para que sejam aplicáveis e úteis à sociedade. Se de um lado as grandes empresas muitas vezes carecem da fluidez necessária para esse cenário de inovação em rede, de outro, os pequenos negócios precisam de apoio para alcançar cadeias de valor já estabelecidas e, muitas vezes, não se percebem como agentes relevantes para a sustentabilidade.

Um dos setores em que isso ocorre é o da agricultura familiar. Desde 2015, o FGVces atua nesse campo por meio do projeto Bota na Mesa, em parceria com o Citi e com patrocínio da Citi Foundation. O objetivo é promover a inclusão da agricultura familiar na cadeia de alimentos em grandes centros urbanos, considerando o comércio justo, a conservação ambiental e a segurança alimentar e nutricional. Nos primeiros anos, trabalhamos diretamente com cooperativas de produtores, apoiando-as no acesso a novos canais de comercialização, por meio de ferramentas de gestão e interações comerciais com potenciais clientes e parceiros.

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Em 2018, iniciamos um novo ciclo do projeto, com o objetivo de construir e disseminar diretrizes públicas e empresariais que contribuam para a inclusão da agricultura familiar. A partir dos aprendizados do ciclo anterior e da interação com especialistas na área, foram escolhidos os temas relações de consumo, juventude na agricultura e infraestrutura e tecnologia para conduzir as discussões e compor a primeira edição das Diretrizes.

Além de grupos de trabalho temáticos e visita a campo para que os participantes pudessem viver a experiência de um dia de trabalho rural, o Bota na Mesa realizou uma chamada de casos de inovação para identificar iniciativas inspiradoras em todo o Brasil. Recebemos mais de 60 inscrições e selecionamos 14 casos para se apresentarem em São Paulo, interagindo com os grupos de trabalho do projeto e outros especialistas convidados. Os casos também compõem a publicação final, desenvolvida pela equipe de pesquisa do FGVces e pelos participantes dos encontros.

O trabalho em 2018 suscitou novos temas para atuação em 2019: mudança do clima e transição agroecológica, além de um esforço para implementar as diretrizes criadas no ano anterior. Saiba mais sobre o Bota na Mesa.

INOVAÇÃO EM TECNOLOGIAS LIMPAS

A criatividade e inovação também são essenciais para tornar processos, produtos e serviços mais eficientes, menos poluentes e mais acessíveis, contribuindo para a disponibilidade dos serviços ecossistêmicos dos quais dependemos e para promover a transição para um modelo de desenvolvimento resiliente, justo e de baixo impacto ambiental. Inseridas no ecossistema de inovação, as startups possuem papel fundamental nesse cenário, com contribuições para agilizar processos de desenvolvimento de soluções capazes de transformar a lógica de operação de segmentos inteiros.

Em algumas áreas, já existe uma compreensão madura sobre a necessidade de transformação. É o caso do setor elétrico, em que há consenso sobre a necessidade de transição para fontes renováveis e de mais eficiência em geração e distribuição. O passo seguinte a esse diagnóstico, é fomentar tecnologias e modelos de negócio que deem conta dos desafios identificados.

Em 2018 o FGVces, em parceria entre o FGVces, a COPPE/UFRJ, a ABStartups e a EDP e viabilizado pelo Programa P&D ANEEL, realizou mapeamento inédito de startups de tecnologias limpas com o objetivo analisar o ecossistema em que estão inseridos esses negócios e avaliar seu impacto no setor elétrico brasileiro. A pesquisa identificou modelos de negócio e tecnologias capazes de transformar o setor, além de oportunidades de cooperação entre grandes empresas e startups para dar escala às inovações.

O relatório parcial do projeto já está no ar e, em 2019, o trabalho continua. O objetivo é, a partir das informações da primeira etapa e com um trabalho constante de atualização da base de dados sobre as startups, estruturar o Observatório de Tecnologias Limpas, iniciativa inédita e promissora, com intuito de manter a pesquisa disponíveis para todo o setor no médio e longo prazo. Será desenvolvida plataforma online para reunir os dados e possibilitar aplicação de seus resultados pelo setor público e empresarial.

Além da estruturação do Observatório, o FGVces e organizações parceiras vão propor e testar um modelo de cooperação entre grandes empresas do setor elétrico e startups de tecnologia limpa. As chamadas corporate venturing são capazes de criar mecanismos que unem a agilidade e flexibilidade das startups para inovar ao acesso amplo a recursos financeiros e materiais das grandes empresas, possibilitando a aplicação de inovação e modelos disruptivos em seus setores.

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