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Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma economia próspera e inclusiva, é necessário mobilizar recursos financeiros que possibilitem o avanço em questões como financiamento climático, manutenção e restauração de florestas, gestão de riscos socioambientais e avanços em tecnologia e gestão que deem conta de respostas aos desafios urgentes de equilibrar crescimento e uso racional de recursos.

Além disso, o Brasil tem o desafio de financiar o cumprimento das regras do Novo Código Florestal e o atendimento a compromissos internacionais, como a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês), parte do Acordo de Paris. Considerando esse contexto, o FGVces tem desenvolvido nos últimos anos pesquisas e ferramentas que buscam fomentar o aumento de recursos voltados para o desenvolvimento sustentável.

Alguns desses estudos são viabilizados pela parceria com a FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos), desde 2014, com o objetivo de analisar os caminhos possíveis para alavancar a transição para uma Economia Verde no Brasil, por meio de recursos intermediados pelo Sistema Financeiro Nacional. Em 2018, foram publicados novos quatro relatórios frutos dessa colaboração.

Financiamento para Energia Solar Fotovoltaica em Geração Distribuída analisa a viabilidade econômico-financeira da adoção de sistemas solares fotovoltaicos em microgeração e minigeração distribuída no Brasil, discutindo propostas para viabilizar a escalabilidade de financiamentos bancários para esses projetos. O estudo, que teve início em 2017, foi conduzido em parceria com a ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). O relatório dá sequência ao estudo Edificações sustentáveis e eficiência energética, publicado em 2017.

Outro estudo parte da parceria com a FEBRABAN analisa a viabilidade de modelos selecionados de financiamento para atividades de recomposição florestal de áreas de Reserva Legal no Brasil, fundamentais para a NDC e para o Código Florestal. O estudo Financiamento da Recomposição Florestal com Exploração Econômica da Reserva Legal considerou a possibilidade de exploração econômica da Reserva Legal e a gestão integrada da propriedade. Esse estudo também é sequência de uma pesquisa anterior que avaliou o impacto de atividades de recomposição florestal de Áreas de Preservação Permanente no fluxo de caixa das atividades produtivas.

Em 2018 também lançamos o relatório da pesquisa Instituições Financeiras e a Gestão do Risco de Desmatamento, iniciada em 2017, que apresenta recomendações às instituições financeiras sobre quais elementos de análise de risco socioambiental para concessão de crédito contribuem para a redução do risco de desmatamento de clientes do setor agropecuário e quais ferramentas e bases de dados disponíveis podem favorecer a gestão do risco de desmatamento.

O estudo compõe uma edição sobre desmatamento no especial multimídia da Revista Página22, P22_ON. A publicação traz uma relevante discussão sobre a falsa dicotomia entre desenvolvimento do agronegócio, responsável por grande parcela do PIB nacional, e a conservação de florestas. Também levanta o debate sobre como investidores e instituições financeiras, além do Estado, dos produtores e dos consumidores, têm tratado essa questão.

Iniciando nova linha de pesquisa na parceria com a FEBRABAN, Gestão e Precificação de Carbono: Riscos e Oportunidades para Instituições Financeiras aborda a gestão do risco climático por parte de bancos e de empresas, com especial atenção para os riscos e oportunidades relacionados à precificação de carbono. O relatório apresenta tendências ligadas às altas emissões e concentrações de carbono, incluindo os riscos e oportunidades provenientes da precificação; mapeamento de práticas de gestão do risco carbono por empresas de setores selecionados da economia; e identifica temas setoriais relevantes a serem considerados pelas instituições financeiras na gestão do risco carbono em suas análises de risco socioambiental.

Por fim, o FGVces realizou acompanhamento da implementação das recomendações propostas pelos estudos “Instituições Financeiras e a Gestão do Risco de Desmatamento” e “Financiamento da Recomposição Florestal com Exploração Econômica da Reserva Legal”, coordenando e participando, junto com a FEBRABAN, de reuniões mensais com o Grupo de Trabalho Florestal, composto por dez bancos associados à Federação.

Tomada de decisão com base em lógica econômico-financeira

Um dos desafios na gestão de sustentabilidade em organizações é a mensuração de retorno de projetos, dado relevante para compor a tomada de decisão de investimento e continuidade de iniciativas. Produzido a partir de uma parceria com o Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit GmbH (GIZ) o Guia para Implementação do ROI de Sustentabilidade busca incentivar que gestores de sustentabilidade incorporem as técnicas de orçamento de capital para analisar o retorno econômico de seus projetos de sustentabilidade.

Entre os benefícios da adoção do ROI de Sustentabilidade, estão o entendimento de que projetos de sustentabilidade podem trazer ganhos financeiros quantificáveis para as empresas, seja por redução de custos ou geração de receitas. O bom desempenho socioambiental pode se traduzir em menores riscos regulatórios, reputacionais e operacionais e projetos de sustentabilidade podem contribuir para a licença social para operar e ganhos de imagem. Além disso, a implementação de estratégias de sustentabilidade pode facilitar o acesso a linhas de crédito com juros diferenciados.

Outro trabalho em ROI de Sustentabilidade foi um projeto realizado em parceria com a Fundação Iochpe para desenvolvimento de uma ferramenta de cálculo do retorno econômico-financeiro do Programa Formare, franquia social de capacitação profissional de jovens cujas aulas são ministradas por funcionários voluntários de empresas. A ferramenta, que foi disponibilizada às mais de 40 empresas que possuem o Programa em suas unidades de negócios, avalia quais os ganhos, para as empresas, decorrentes da implementação do Formare. Dentre os benefícios estão custos evitados com treinamento de funcionários, que são capacitados durante o trabalho voluntário, e custos evitados com seleção e contratação de pessoal, já que uma parcela dos alunos é contratada pela empresa ao final do curso. (link para o vídeo)

A aproximação da gestão de sustentabilidade e sua incorporação nas finanças das organizações também foi o tema de trabalho da agenda integrada das Iniciativas Empresariais (iE) do FGVces em 2018. Representantes de mais de 40 empresas trabalharam ao longo do ano o desafio de integrar os conceitos, os aprendizados e os resultados alcançados nas agendas de sustentabilidade nos processos de tomada de decisão das empresas. O Guia ROI e outros conceitos de finanças e sustentabilidade foram apresentados em workshop em abril, quando também foi realizada reunião executiva sobre desafios e propostas para a integração da agenda socioambiental na estratégia dos negócios.

Na Jornada Empresarial Terceira Margem, imersão em campo realizada anualmente como parte da agenda das iE, os participantes tiveram a oportunidade de interagir com atores que operam no sistema financeiro nacional, a fim de compreender o como as instituições financeiras têm considerado as questões socioambientais nas suas decisões de financiamento e investimento. As reflexões e aprendizados vivenciados ao longo do ano foram compartilhados no Fórum Anual das iE, em dezembro.

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Ainda como parte da atuação do FGVces em gestão empresarial, a iniciativa Tendências em Serviços Ecossistêmicos (TeSE) publicou dez novos casos de valoração econômica de serviços ecossistêmicos das empresas membros da iniciativa e o caso empresarial de valoração não econômica de Serviços Ecossistêmicos Culturais, que testou a aplicabilidade do método lançado em 2017. A publicação pode subsidiar o aprimoramento das diretrizes e, principalmente, gerar referências empresariais pioneiras no uso de Serviços Ecossistêmicos Culturais, contribuindo para posteriores aplicações e o avanço dessa agenda no âmbito empresarial.

Também foi lançado o relatório “Explorando conexões entre finanças corporativas e serviços ecossistêmicos: Estudos pilotos”, com o objetivo de apresentar elementos para que tomadores de decisão do setor produtivo e financeiro possam considerar formal e explicitamente os riscos associados aos recursos naturais e serviços ecossistêmicos em processos de identificação, análise e avaliação de riscos.

Gastos públicos em mobilidade urbana

Em parceria com o Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema) e com o apoio da Oak Foundation e do Instituto Clima e Sociedade (iCS), o FGVces publicou em 2018 o relatório Gastos Públicos em Mobilidade Urbana no Brasil, com levantamento e análise dos gastos públicos em mobilidade urbana no período de 2006 a 2016 para governo federal, governo no estado de São Paulo, governo do estado do Rio de Janeiro e para os 60 municípios das regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

O estudo conclui que atualmente a contabilidade pública apresenta grandes desafios relacionados ao entendimento, disponibilidade e robustez de informações quanto aos gastos públicos, especialmente para temas transversais como a mobilidade urbana. Os principais desafios mapeados são: acesso às informações orçamentárias; registros das despesas autodeclaratórios, acrescentando fragilidade e incerteza aos valores reportados; e agregação dos gastos públicos em funções e subfunções, que inviabilizou o olhar minucioso nas partes que compõem a mobilidade urbana.

É necessário um esforço em tornar a informação contábil pública mais inteligível para a sociedade civil, de forma a ampliar o controle social e reforçar o processo democrático. Junto ao relatório, foi publicado o Banco de Dados dos Gastos Públicos em Mobilidade, em formato aberto, o que possibilita outras formas de análise dos dados.

Veja também:

Em 2019, Iniciativas Empresariais do FGVces atuam em novo formato